Robôs hiper-realistas daqui a uma década?

Investigadores estão cada vez mais perto de criar uma versão mecanizada de cada um de nós.

Desde o momento em que os primeiros robôs apareceram no grande ecrã, em filmes de ficção científica, que a questão se coloca.
– Quando é que vão conseguir fazer uma versão robotizada de nós próprios?
Pois, a ficção parece estar prestes a tornar-se realidade.


O Japão e a Coreia são os países que “mais cartas” dão na produção de robôs hiper-realistas.
Segundo um inquérito publicado em 2004, 600 mil robôs ajudam nas tarefas domésticas em todo o mundo. A maioria são bastante rudimentares – como o sistema de vácuo automático Roomba, mas a procura, sobretudo no mercado asiático, tende a crescer.
No final de 2007 estima-se que o número de robôs “em funções” suba para os 4 milhões.
Ainda assim, não espere encontrar a sua versão andróide nas lojas tão cedo.
Mesmo quando este tipo de robôs for lançado, estaremos ainda numa fase embrionária do seu desenvolvimento.

Actualmente, já é possível desenvolver autómatos que se movem e falam quase como nós. Mas a intuição ainda não é programável e continua a faltar-lhes aquele grau de imprevisibilidade que nos distingue de qualquer máquina.
Apesar disso, os investigadores prevêem que, no prazo de uma década, estejam já disponíveis modelos bastante avançados, apesar de permanecerem bens de luxo.
Basicamente, estes vão trabalhar para nós, podendo executar na perfeição tarefas como abrir a porta, preparar refeições, atender o telefone, tratar de pessoas doentes, pilotar aviões militares ou trabalhar como mineiros.

“Precisamos de um robô que possa ser verdadeiramente útil no mundo em que vivemos”, defende Stephen Keeney, investigador canadiano que integra a equipa responsável pelo ASIMO.
O robô tecnologicamente avançado da Honda consegue andar devagar, reconhecer e reagir a expressões faciais e posturas, dar apertos de mão, subir escadas e até correr (a uma velocidade máxima de 6 quilómetros por hora).

Criado com o objectivo de facilitar a vida a quem está confinado a uma cadeira ou a uma cama, o ASIMO deverá ganhar novas capacidades brevemente e ser capaz de ajudar na limpeza de descargas tóxicas ou no combate a incêndios.
Contudo, o modelo precisa de ser aperfeiçoado e de se tornar “mais inteligente”.
Ainda recentemente, numa exibição pública o autómato estatelou-se no chão, quando tentava subir umas escadas, para divertimento de todos os que presenciaram o momento ou o viram no YouTube.
Apesar de o seu preço (1 milhão de dólares) ter tendência a descer, por enquanto é ainda proibitivo para a generalidade dos consumidores.
A este factor acrescem ainda outros obstáculos técnicos que urge ultrapassar até se atingir a perfeição robótica.

“Podemos dizer-lhes para irem para o ponto X ou Y e eles obedecem. Mas peça-lhes para irem para a sua direita… não vão reagir”, explica Maria Bualat, investigadora que lidera o grupo de inteligência robótica do centro de pesquisa da NASA, na Califórnia.
Neste momento, Bualat e a sua equipa trabalham num interface robótico para ajudar os astronautas a interagirem com equipamentos em locais hostis, como nas superfícies de Marte ou da Lua.
A investigadora está a tentar fazer com que os robôs se tornem mais “intuitivos”, adaptando-se ao mundo dos humanos, ao invés de forçarem o Homem a adaptar-se ao seu.
“Conseguir que os robôs calculem uma intenção é um enorme salto evolutivo”, afirma, acrescentando: “têm de ser capazes de adivinhar o que querem que eles façam a seguir”.

Apesar dos avanços conseguidos nas últimas duas décadas, ao nível da fala ou da locomoção, os seus poderes atléticos estão longe dos que podemos ver em “O Exterminador Implacável”. Para além disso, ainda não foi possível encontrar uma fonte de energia que os mantenha a funcionar por mais de 7 ou 8 horas.
Michael Jenkin, um dos responsáveis pela criação do AQUA em 2004, concorda que a revolução robótica está ainda a 10 anos de distância.
“A maioria têm de ser ligados, o que significa que em 6 ou 7 horas ficam sem bateria. Isso coloca um ponto final na revolução robótica”, argumenta.
Outro obstáculo está relacionado com uma teoria, denominada pelos fabricantes “Uncanny Valley”. Esta revela que quanto mais parecido um robô for com um ser humano mais simpático se torna. Isto até um determinado momento. Quando o seu aspecto for demasiado semelhante ao de um humano, o robô tornar-se-á repugnante, asseguram.

Existem alguns andróides rudimentares – ou robôs que parecem humanos – que são usados sobretudo como “demo tecnológica” para exibições ou como guias de museu.

No passado mês de Maio, o Instituto Coreano para a Tecnologia Industrial, em Seul, apresentou a EveR-1, uma andróide com a aparência de uma mulher-polícia asiática com cerca de 20 anos.
Ela consegue andar, mas as suas expressões faciais são algo limitadas, conseguindo expressar apenas algumas emoções básicas, como felicidade, prazer ou raiva. Com um vocabulário com 400 palavras, tem o dom de identificar rostos e consegue encetar uma conversa, desde que simples.

Já a japonesa Kokoro lançou a Actroid DER2, outra andróide asiática que pode funcionar como guia turístico. Está disponível para aluguer, cobrando quase 4 mil dólares por cinco dias de trabalho.
Também a China apresentou recentemente Dion, robô que, apesar dos dotes vocais e movimentos dos lábios limitados, canta em mandarim. O mais estranho é que o seu aspecto é semelhante ao de uma Barbie, ou seja, tudo menos oriental.
A aparência pode não ser a melhor mas David Hanson, investigador da Texas, afirma que dar um aspecto humano aos robôs é essencial.
Para a geração dos “baby boomers”, que não tardará a necessitar de cuidados e que está disposta a pagar por eles, o robô humanóide e amigável pode chegar a tempo de dar uma ajuda.
“As capacidades (dos robôs) irão ultrapassar as humanas em 2025″, assegura o investigador, reforçando a ideia de que daqui a vinte anos os robôs serão membros efectivos da família humana.
“Ora, se não lhes dermos um rosto, se não os ensinarmos a ser parte da família, no futuro eles serão frios e assustadores”, revela. “Precisamos de começar a plantar as sementes da compaixão e da sabedoria na tecnologia”, assegura Hanson.

in ciberia 

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